Você suspirava um adeus inevitável e eu meio que chorava por entre os dentes, pedindo pela sua volta. Lembra? Lembra dos abraços concedidos de graça, das conversas engraçadas e das lágrimas que corriam por necessidade porque nós éramos sentimentais demais? Eu ainda te procuro quando acordo, na intenção de que o que vivi tenha sido apenas uma utopia desgrenhada, mas logo me deparo com o vazio na cama, nos móveis que não refletem mais seu rosto, nas luzes que se apagam sozinhas e param de iluminar para chorar. Eu ainda te busco em abrigos que certamente você se esconderia, em lugares que certamente iria para lamentar e arfar com todo ar de depuração, moléstia e dor; eu te retrato nas músicas de cantores meia-boca e choro no canto do quarto pela falta que você não me faz e sim me espanca. Eu me espanco a cada melodia que ecoa na minha alma, a cada destroço que eu insisto em retirar de mim enquanto a saudade me dá um beijo, afoga e mata. Matar. Você está me matando de um jeito bonito, até; eu fico morrendo quando escrevo e as lágrimas descem causando um frio no pulmão e um degelo que amortece as sensações de que falecerei sem nada. Sabe, dessas vezes que me pego chorando eu sorrio e lembro de que nossas despedidas sempre foram descabidas e nossa história - mal lida e incompreensível - nunca foi estampada nos jornais da cidade; de que ninguém sabe das vezes que brigávamos e nos debatíamos horas depois um nos braços do outro, como sinal de trégua; como se depois da chuva vinhesse as cores e com elas a paz. Ninguém, e talvez nem você, sabe das muitas vezes que me feri de propósito para ter um outro motivo para chorar e derramar desleixadamente os suspiros que você deixou pra mim. Você não sabe que eu queria ir contigo, embora, para o longe, para o nada, para o nunca, para o sempre… Você, que acabou comigo de uma maneira bela e eu, que sorri por entre as mãos, para deixar-lhe ir… e se foi.
(Source: conotar)













